Tendências do IVCMH 2026: o que esperar da variação dos custos médicos nos próximos anos
- DIRECT - Gestão de Benefícios

- 18 de jun.
- 7 min de leitura

No cenário dinâmico da saúde suplementar brasileira, um dos indicadores mais cruciais e, por vezes, desafiadores para empresas e beneficiários é o Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (IVCMH), também conhecido como VCMH. Este índice não é apenas um número abstrato; ele reflete a complexa interação de fatores que moldam os gastos com saúde no país e, consequentemente, impacta diretamente os reajustes dos planos de saúde. Compreender o IVCMH é fundamental para uma gestão de benefícios eficaz e para a tomada de decisões estratégicas no ambiente corporativo.
Ao contrário de índices de inflação gerais, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que medem a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços de consumo, o IVCMH foca especificamente nos gastos do setor de saúde suplementar. Ele expressa a variação do custo médico-hospitalar per capita das operadoras de planos de saúde entre dois períodos consecutivos de 12 meses. A metodologia de cálculo do IVCMH, reconhecida internacionalmente, considera a frequência de utilização dos serviços e o preço médio desses serviços, o que o torna um espelho mais preciso da realidade dos custos da saúde.
Este artigo visa desmistificar o IVCMH, explorando seu conceito, analisando seu panorama histórico e, mais importante, projetando as tendências que moldarão a variação dos custos médicos nos próximos anos, especialmente entre 2025 e 2026. Para gestores de RH, donos de empresas e beneficiários, estar à frente dessas tendências é essencial para planejar e otimizar os investimentos em saúde corporativa.
O IVCMH em detalhes
O Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) é a principal entidade responsável por apurar e divulgar o IVCMH no Brasil, fornecendo um panorama detalhado e confiável desse indicador. A fórmula básica que rege o IVCMH é a combinação da frequência de utilização dos serviços de saúde e o preço médio desses serviços. Isso significa que não apenas o aumento dos preços de insumos e procedimentos impacta o índice, mas também a quantidade de vezes que os beneficiários utilizam esses serviços.
Para o cálculo, são considerados quatro pilares fundamentais:
Período de apuração: a variação dos preços é analisada nos últimos 12 meses imediatos, garantindo que o cálculo reflita a realidade mais recente das operadoras.
Custo das operadoras: inclui os gastos com consultas, exames, internações, terapias, medicamentos e outros serviços de saúde. Os serviços mais utilizados tendem a sofrer maiores aumentos.
Amostra: uma porcentagem do total de beneficiários da saúde suplementar, distribuída em todas as regiões do país (geralmente 10%), é utilizada como amostra para determinar a variação do custo.
Ponderação: é realizada uma ponderação pelo tipo de plano (básico, intermediário, superior ou executivo) para garantir a exatidão na mensuração, evitando subestimar ou superestimar o IVCMH.
É crucial diferenciar o IVCMH do IPCA. Enquanto o IPCA mede a inflação geral da economia, o IVCMH reflete uma inflação específica do setor de saúde, que historicamente supera o índice geral. Essa diferença se deve às particularidades do setor, como a incorporação tecnológica e o envelhecimento populacional, que não são totalmente capturadas por um índice de inflação mais amplo.
Panorama histórico
Nos últimos anos, o IVCMH tem demonstrado uma trajetória de crescimento significativo, frequentemente descolado da inflação geral. Em 2023, por exemplo, o IVCMH reportado pelo IESS foi de 15,1%, enquanto o IPCA fechou em 4,62%. Essa disparidade evidencia a pressão contínua sobre os custos da saúde suplementar.
Um marco importante foi o período pós-pandemia. Em setembro de 2021, o IVCMH atingiu um pico histórico de 27,7%. Esse aumento expressivo foi um reflexo direto da retomada dos procedimentos eletivos que foram adiados durante a pandemia, além do agravamento de comorbidades e das consequências da própria COVID-19. Esse cenário resultou no maior valor já gasto com saúde suplementar no Brasil, totalizando 200 bilhões de reais.
Essa série histórica reforça que a variação dos custos médico-hospitalares é influenciada por fatores específicos do setor, que vão além da dinâmica econômica geral. A compreensão desses fatores é vital para antecipar os desafios e oportunidades nos próximos anos.
Tendências e projeções para o IVCMH (2025-2026 e além)
O cenário para os próximos anos, especialmente entre 2025 e 2026, aponta para a continuidade de um ambiente desafiador, com o IVCMH mantendo-se como um ponto de atenção para o setor de saúde suplementar. Diversos fatores macro e microeconômicos, demográficos e tecnológicos continuarão a exercer pressão sobre os custos. As principais tendências a serem observadas incluem:
1. Envelhecimento populacional
O Brasil, assim como grande parte do mundo, está passando por um processo de envelhecimento populacional acelerado. Com o aumento da expectativa de vida, a proporção de idosos na população cresce, e com ela, a demanda por serviços de saúde. Indivíduos mais velhos tendem a necessitar de mais consultas, exames, procedimentos complexos e tratamentos para doenças crônicas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta que, até 2050, haverá dois bilhões de pessoas com mais de 60 anos no mundo. Esse cenário implica uma maior frequência de utilização e uma complexidade crescente dos tratamentos, impactando diretamente o IVCMH.
2. Incorporação tecnológica e medicamentos de alto custo
O avanço contínuo da medicina traz consigo novas tecnologias, equipamentos de diagnóstico e tratamento mais sofisticados, e medicamentos inovadores. Embora esses avanços representem melhorias significativas na qualidade de vida e na eficácia dos tratamentos, eles geralmente vêm acompanhados de custos elevados. Medicamentos de alto custo, incluindo terapias gênicas e biológicos, são um dos principais impulsionadores do IVCMH. Estima-se que as despesas com medicamentos na saúde suplementar podem representar até 28% do total. O surgimento de novos medicamentos, como os da categoria GLP-1 para tratamento de obesidade e diabetes, pode adicionar um percentual significativo ao custo total da assistência médica.
3. Judicialização da saúde
A judicialização da saúde, ou seja, o aumento de ações judiciais para garantir o acesso a tratamentos, medicamentos ou procedimentos não cobertos pelos planos de saúde ou pelo Sistema Único de Saúde (SUS), continua a ser um fator relevante de pressão sobre os custos. Decisões judiciais que obrigam as operadoras a cobrir procedimentos ou medicamentos de alto custo, muitas vezes fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), geram despesas não previstas e contribuem para o aumento do IVCMH.
4. Novos modelos de remuneração e gestão de saúde
O modelo de remuneração predominante no Brasil, o fee-for-service (pagamento por serviço), incentiva a quantidade de procedimentos em detrimento da qualidade e da eficiência. Isso pode levar a exames duplicados, procedimentos desnecessários e, consequentemente, ao aumento dos custos. Há uma crescente busca por modelos de remuneração baseados em valor (value-based healthcare), que priorizam a qualidade, os resultados clínicos e a eficiência. A transição para esses modelos, embora desafiadora, é vista como uma estratégia fundamental para conter o crescimento do IVCMH a longo prazo.
5. Saúde mental e doenças crônicas
A pandemia de COVID-19 exacerbou os problemas de saúde mental, resultando em um aumento constante na busca por terapias e tratamentos psicológicos. Além disso, o crescimento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, exige acompanhamento contínuo e tratamentos de longo prazo, elevando a frequência de utilização dos serviços de saúde. A gestão eficaz dessas condições e a promoção da saúde mental são cruciais para mitigar o impacto no IVCMH.
6. Prevenção e gestão ativa da saúde
Uma das estratégias mais eficazes para controlar o IVCMH é o investimento em prevenção e gestão ativa da saúde. Programas de promoção da saúde, incentivo a hábitos de vida saudáveis e acompanhamento de colaboradores com condições crônicas podem reduzir a necessidade de procedimentos de alta complexidade e internações. Ações de conscientização e orientação sobre o uso consciente dos serviços de saúde também são fundamentais para diminuir a sinistralidade e, consequentemente, a pressão sobre o IVCMH.
O Papel da gestão de benefícios na mitigação do IVCMH
Diante das tendências de alta do IVCMH, a gestão de benefícios corporativos assume um papel ainda mais estratégico. Empresas que investem em uma gestão proativa e inteligente podem não apenas controlar seus custos, mas também oferecer um benefício de saúde mais sustentável e de maior valor para seus colaboradores. Algumas estratégias incluem:
Análise detalhada dos dados: utilizar dados de saúde da população de colaboradores para identificar padrões de uso, principais causas de sinistralidade e áreas de maior custo. Isso permite a criação de programas de saúde personalizados e mais eficazes.
Programas de promoção da saúde e bem-estar: implementar iniciativas que incentivem a atividade física, alimentação saudável, saúde mental e prevenção de doenças crônicas. Esses programas podem reduzir a frequência de utilização de serviços de alta complexidade.
Educação e conscientização: orientar os colaboradores sobre o uso consciente do plano de saúde, a importância da prevenção e a busca por atendimento adequado, evitando o uso desnecessário de pronto-socorros para casos que poderiam ser resolvidos em consultas eletivas.
Negociação estratégica com operadoras: com base em uma análise aprofundada do perfil de saúde da empresa, negociar com as operadoras de planos de saúde para obter condições mais favoráveis e reajustes mais justos.
Modelos de coparticipação inteligentes: implementar modelos de coparticipação que incentivem o uso racional dos serviços, sem penalizar o acesso a cuidados essenciais.
Preparando-se para o futuro da Saúde Suplementar
O IVCMH é um indicador complexo e multifacetado, cuja variação nos próximos anos será moldada por uma série de fatores interligados. O envelhecimento populacional, a incorporação tecnológica, a judicialização da saúde e a busca por novos modelos de remuneração continuarão a exercer pressão sobre os custos médico-hospitalares. No entanto, a compreensão aprofundada dessas tendências e a adoção de estratégias proativas de gestão de benefícios podem transformar esse desafio em uma oportunidade.
Para empresas e gestores de RH, o futuro da saúde suplementar exige uma abordagem estratégica, focada na prevenção, na gestão ativa da saúde e na otimização dos investimentos.
Estar bem informado sobre o IVCMH e suas tendências é o primeiro passo para garantir que os planos de saúde continuem sendo um benefício valioso e sustentável, tanto para a organização quanto para seus colaboradores.
A Direct, com sua expertise em gestão de benefícios, está preparada para auxiliar as empresas a navegar por esse cenário complexo, oferecendo soluções personalizadas que promovem a saúde e o bem-estar, ao mesmo tempo em que otimizam os custos.
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